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25-08-2010 15:15

Para sua Informação

 

Defensivos agrícolas: ciência que protege a agricultura brasileira

Tendo em vista a reportagem publicada no dia 30 de maio último, no O Estado de S. Paulo, intitulada "Brasil é o principal destino de agrotóxico banido no exterior", a Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF, que representa as indústrias que atuam no Brasil em pesquisa, desenvolvimento e produção de defensivos agrícolas, vêm, à luz dos fatos, prestar os seguintes esclarecimentos:

  • Os defensivos agrícolas, ou agrotóxicos, são insumos indispensáveis na agricultura em todo o mundo. Conforme atesta a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, sem o controle de pragas a produção de alimentos reduziria em cerca de 40%. Ou seja, não proteger as plantações acrescentaria uma situação de calamidade mundial ao quadro, hoje, já dramático, conforme o relatório recente da ONU: apesar da crescente oferta de alimentos, a fome atinge cerca de 1 bilhão de pessoas. O Brasil integra este mapa da desnutrição, com 6% de sua população, isto é, 12 milhões de pessoas.
    Portanto, cabe à sociedade brasileira como um todo - não apenas aos setores agrícolas, mas também governos, parlamentares, comunidade científica e lideranças políticas -, assumir, claramente, a responsabilidade de mover todos os esforços para a produção sustentável de alimentos, fibras e fontes renováveis de energia.
  • Também é fundamental esclarecer os leitores deste jornal e os milhões de consumidores de alimentos que o setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo. Acordos internacionais, tratados e convenções são firmados visando estabelecer que os níveis de resíduos dos defensivos, corretamente utilizados nas plantações, sejam seguros aos trabalhadores, ao meio ambiente e aos consumidores de alimentos. A indústria do setor no Brasil é signatária de todos esses regulamentos.
  • No Brasil, antes de serem registrados e produzidos, os defensivos são submetidos, por até 3 anos, a rigorosa avaliação agronômica, toxicológica e ambiental de três ministérios. São eles: Ministério da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa; do Meio Ambiente, sob responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Ibama; e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Além da análise pelo Governo Federal, os produtos sâo submetidos a um cadastro específico em quase todos os Estados.
  • A reportagem, propriamente, não apresenta nenhum dado que não tenha sido abordado em outras matérias sobre o tema. Todos seus aspectos têm sido esclarecidos de forma objetiva e transparente pela ANDEF, com a única preocupação de informar corretamente a sociedade.

Produtos banidos no Exterior e em uso no Brasil

  • Dependendo das condições agronômicas locais, cada país adota diretrizes próprias sobre registro de produtos. Diferentes climas e tipos de culturas requerem determinados manejos fitossanitários. A comunidade científica, incluindo aqueles que atuam nos órgãos regulatórios dos governos, conhece bem essa realidade na agricultura.
  • Segundo Embrapa Soja, a doença Ferrugem Asiática pode diminuir em até 80% a produtividade. No milho, a lagarta do cartucho representa um potencial de até 60% de perdas. Nos canaviais, a infestação de cupins pode causar danos de até 10 toneladas por hectare. No algodão, a virose Mosaico das Nervuras pode reduzir a produção em até 60%.
  • Portanto, cada país, ao retirar do mercado um determinado produto, avalia o impacto no cultivo de alimentos. Por exemplo, se a Europa resolver proibir um defensivo essencial para o feijão, não causará o menor impacto na sua agricultura; porém, será drástica, principalmente para os consumidores, a mesma medida num dos cinco principais países produtores mundiais, segundo a FAO: Brasil, Índia, China, Mianmar e México, que juntos representam mais de 65% da produção mundial.

Sobre a reavalição de produtos

  • O processo de reavaliação é previsto no Brasil e nos demais países que possuem uma regulamentação moderna sobre o setor. Em 1993, o Decreto 991 promoveu a reavaliação de todos os produtos registrados. Posteriormente, 24 produtos tiveram nova reavaliação, com resultado expressivo, com a absoluta maioria sendo aprovada. Apenas 5 foram retirados do mercado, inclusive com a total anuência de seus fabricantes; um dos produtos está em processo de reavaliação, enquanto 18 foram autorizados a continuar sendo comercializados.
  • Os avanços nas pesquisas laboratoriais como, por exemplo, os modelos computadorizados de análise, têm oferecido novas ferramentas à comunidade regulamentadora. Com o apoio dessas técnicas, se novos dados justificarem a reavaliação de produtos, à luz do rigor científico, as associadas da ANDEF sempre serão favoráveis a essa decisão.

Mercado mundial de defensivos agrícolas

  • Uma leitura superficial, e em algumas ocasiões distorcida, do mercado mundial tem levado à outra conclusão absolutamente equivocada: a de que o Brasil é, hoje, o país que mais utiliza defensivos agrícolas. Não é verdade: o consumo no Brasil é muito menor que o observado em outros países - embora, como já esclarecido anteriormente, a agricultura sob clima tropical exija muito maior uso da tecnologia para controlar as pragas.
  • Entre os grandes países agrícolas, o Brasil apresenta um dos menores investimentos por tonelada produzida e por área plantada. Em 2007, o consumo por unidade de área foi de US$ 88/ha, e por produção, US$ 7,4/t. Segundo dados da FAO e da consultoria Amis Global, no Japão foi de US$ 851/ha e US$ 73/t, respectivamente; na França, US$ 197/ha e US$ 22/t.
  • Em 2007, o aumento no Brasil foi de apenas 1%, muito inferior ao de países como Argentina, que aumentou em 49%; China, 25%; e França, 28%; houve queda apenas no Japão e nos EUA, país que cultiva em larga escala variedades transgênicas - cerca de 90% em soja e milho -, que exigem menor manejo com defensivos agrícolas.
  • O fato de os agricultores brasileiros estarem entre aqueles que confiam nos produtos fitossanitários como fator vital de produtividade indica que o país começa a se preparar tecnologicamente para liderar a agricultura mundial dentro de uma década, conforme prevê a FAO.
  • Atualmente, o país ocupa somente 11% de sua área com agricultura. Ainda assim, graças às tecnologias incorporadas no campo, o agronegócio responde por 1/4 do PIB, 36% da pauta de exportações e 37% dos postos de trabalho.

Portanto, a ANDEF e suas empresas associadas acreditam, e trabalham séria e decididamente para isso, na agricultura brasileira como caminho-chave da sustentabilidade, nos seus três âmbitos - econômico, ambiental e social.